Brasília / Tel Aviv – 25 de agosto de 2025
O Brasil e Israel vivenciam um novo episódio de tensão diplomática, após o Itamaraty não se pronunciar sobre a indicação de Gali Dagan como novo embaixador de Israel em Brasília — uma decisão que o governo de Tel Aviv considera um rebaixamento explícito das relações bilaterais. Formalmente, o silêncio equivale a uma não concessão do agrément, instrumento essencial para validar uma nomeação diplomática.
O que aconteceu?
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Sem resposta oficial
Desde janeiro de 2025, o governo israelense, por meio de canais diplomáticos, aguarda uma resposta do Itamaraty sobre a nomeação de Gali Dagan — ex-embaixador em Bogotá — para chefiar a missão em Brasília. Até o momento, nenhuma manifestação foi feita pelo ministério brasileiro -
Interpretação diplomática
A ausência de resposta foi interpretada em Tel Aviv como um sinal claro de que Brasília não está interessado em normalizar ou fortalecer as relações nesse momento. Em consequência, a presença israelense permanecerá limitada ao nível de encarregado de negócios, reduzindo o peso político da representação -
Contexto de rompimento gradual
Analistas apontam que essa medida se soma a uma série de ações do Brasil contra o governo de Netanyahu, como o recall do embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, em maio de 2024, após a humilhação pública sofrida por ele em Jerusalém, e a declaração de Lula como “persona non grata” -
Posicionamento consistente
O governo Lula tem adotado discurso duro em relação às operações militares de Israel em Gaza, que, segundo observadores, incluem críticas sobre violações ao Direito Internacional Humanitário. A recusa em aprovar um novo embaixador é vista como contínuo reflexo dessa postura
Implicações
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Diplomacia restrita: Sem um representante de alto nível, a interação Brazil–Israel passa a contar com interlocução reduzida, dificultando tratativas políticas e cooperação bilateral.
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Mensagem simbólica forte: A falta de agrément transmite descontentamento e serve como demonstrativo de reprovação às políticas de Netanyahu, especialmente em relação à guerra em Gaza.
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Tendência de distanciamento: Fontes diplomáticas israelenses acreditam que a embaixada permanecerá sem embaixador até AO MENOS 2026, quando haverá nova eleição presidencial brasileira