O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, afirmou que o Nordeste permanece estagnado em 14% do PIB nacional devido à falta de obras estruturantes e à baixa integração logística entre os estados.
“Há muitos anos estamos com 14% do PIB, embora tenhamos uma participação populacional muito maior. Temos o potencial, mas não conseguimos aproveitar o benefício econômico daquilo que produzimos. Do jeito que fazemos, vamos continuar ficando nesse percentual — se não perdermos ainda mais”, alertou.
A declaração foi feita durante o debate “Logística e Conectividade: rodovias, ferrovias e portos para a competitividade”, realizado em Salvador, com participação de especialistas e representantes do setor logístico, promovido pelo Valor Econômico, Infra S.A. e o Ministério dos Transportes.
O presidente utilizou exemplos para ilustrar essa desigualdade, como o caso do algodão baiano, responsável por cerca de 20% da produção nacional, mas cuja industrialização ocorre quase totalmente fora do estado. Ele também mencionou um estudo do Observatório da Indústria da FIEB, em parceria com o Senai Cimatec, que aponta o potencial da Bahia para gerar milhares de empregos caso a cadeia têxtil fosse plenamente instalada no estado.
Para o dirigente, o avanço da infraestrutura logística é o fator decisivo para mudar esse cenário. Ele defende que a conclusão e plena funcionalidade de rodovias, ferrovias e portos, aliadas ao fortalecimento das parcerias público-privadas (PPPs), são essenciais para superar o desequilíbrio fiscal do Estado e destravar o desenvolvimento econômico regional.
“Precisamos dar funcionalidade ao que já existe. A Bahia precisa de resultados concretos, e os diagnósticos já estão feitos. O que falta é concluir as obras e colocá-las para funcionar”, reforçou Passos.
O presidente da FIEB também relacionou o tema à Reforma Tributária, destacando que a nova estrutura tende a concentrar recursos nas regiões com maior poder de consumo. Ele advertiu que, sem políticas voltadas à geração de renda e à expansão do mercado interno, o Nordeste corre o risco de ampliar sua defasagem em relação ao Sul e Sudeste.
“A Reforma vai direcionar recursos onde há mercado. E para ter mercado, é preciso ter renda. Temos um arranjo político favorável; o que precisamos agora é dar terminalidade às obras e fazer a Bahia funcionar”, concluiu.