EUA e Otan discutem futuro da Groenlândia em meio a tensão diplomática

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que o governo estadunidense e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estabeleceram a base de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico, em meio a uma crescente tensão diplomática com países europeus. A declaração foi feita após reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, e publicada pelo presidente em sua rede social, Truth Social.

Segundo Trump, o entendimento atende a interesses mútuos e envolve questões estratégicas ligadas à segurança e à presença militar no Ártico. Ele não detalhou os termos, mas afirmou que as negociações ficarão sob responsabilidade do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff.

O presidente também anunciou que, com o avanço das tratativas, deixou de lado a imposição de tarifas comerciais contra países europeus que contrariavam os interesses dos EUA na região. No início da semana, Trump havia ameaçado aplicar taxas a aliados que se opusessem às suas intenções sobre a Groenlândia.

Durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump afirmou que não pretende usar a força para assumir o controle do território, mas voltou a defender sua importância estratégica.

“Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo. É bem menos do que recebemos ao longo dos anos. Nós demos à Otan muito, e não recebemos nada de volta”, disse o presidente, em referência à aliança militar ocidental.

Trump voltou a classificar a Groenlândia como um ativo indispensável para a segurança dos Estados Unidos, especialmente diante de possíveis conflitos com a Rússia e a China. Segundo ele, “qualquer guerra seria travada lá”, ao justificar a necessidade de maior presença norte-americana na região.

Contexto e disputa diplomática

A fala reacende uma polêmica histórica. Os Estados Unidos ocuparam militarmente a Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Dinamarca foi invadida pela Alemanha nazista em 1940, devolvendo o território aos dinamarqueses ao fim do conflito, em 1945.

Em 1946, Washington tentou formalmente comprar a ilha, oferecendo cerca de US$ 100 milhões em ouro, proposta que foi rejeitada pelo governo dinamarquês. Desde então, os EUA mantêm presença militar no território por meio de acordos com a Dinamarca, especialmente após o tratado de defesa assinado em 1951.

Hoje, a Groenlândia é um território autônomo do Reino da Dinamarca e é considerada estratégica por sua posição geográfica, por novas rotas marítimas abertas pelo degelo e por suas reservas minerais.

Apesar da pressão americana, autoridades dinamarquesas e groenlandesas reiteram que a ilha não está à venda e que qualquer decisão sobre seu futuro cabe exclusivamente à população local. A Otan, por sua vez, tem evitado associar as discussões sobre segurança no Ártico a qualquer debate sobre soberania territorial.

As declarações de Trump ocorrem em meio ao aumento da relevância geopolítica do Ártico, região que vem sendo alvo de crescente disputa entre potências globais, tanto por razões militares quanto econômicas, ampliando o debate sobre segurança, alianças e influência internacional no extremo norte do planeta.

Foto: AFP or licensors

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