Governo Lula paga valor recorde em emendas parlamentares no início de 2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou R$ 1,5 bilhão em emendas parlamentares até a primeira semana de fevereiro, o maior valor já pago no mesmo período desde o início da série histórica em 2016. O montante supera mais que o dobro do registrado no ano anterior, quando foram liberados R$ 634,5 milhões no mesmo intervalo, considerando valores corrigidos pela inflação. Até então, o maior volume havia sido registrado em 2021, com cerca de R$ 770 milhões. Os dados consideram pagamentos realizados entre 1º de janeiro e 6 de fevereiro e se referem a emendas de anos anteriores inscritas como restos a pagar. Segundo integrantes do governo, o ritmo acelerado de liberação busca melhorar a relação do Executivo com o Congresso Nacional, após críticas sobre a baixa execução de recursos no ano passado. A melhora na execução ocorreu após o Planalto se comprometer a pagar emendas de 2025 até dezembro, com cerca de 97% do valor empenhado, o que antecipou pagamentos para 2026. O cronograma de liberação também depende do andamento de obras e de exigências de maior transparência, após questionamentos no Supremo Tribunal Federal sobre repasses anteriores. Por ser um ano eleitoral, a Lei de Diretrizes Orçamentárias determina que o governo pague ao menos 65% das emendas individuais e de bancadas estaduais até o fim de junho, garantindo recursos para bases parlamentares antes das eleições. A inclusão dessa regra ocorreu apesar da resistência do Planalto, que optou por mantê-la para evitar novos conflitos com o Congresso. Desde 2015, mudanças na legislação ampliaram o poder do Legislativo sobre o Orçamento, tornando obrigatórias as emendas individuais e de bancada. O crescimento desses repasses também elevou o volume de valores pendentes de pagamento, que ultrapassam R$ 35 bilhões no Orçamento de 2026. Em janeiro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo seguirá o calendário previsto. “Nós concordamos em ter esse dispositivo de pagamento das emendas impositivas que sejam de transferência fundo a fundo até junho”, disse. Até o início de fevereiro, os pagamentos realizados se concentraram em emendas antigas, sendo cerca de R$ 1 bilhão referentes a 2025, além de valores de 2024 e 2023. As emendas seguem representando uma parcela relevante do orçamento discricionário, especialmente em ministérios como o do Turismo.

Lula articula nova frente política para ampliar alianças em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma articulação política em duas frentes com o objetivo de ampliar sua base de apoio para a eleição presidencial e reduzir o espaço de seu provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia envolve tentar afastar partidos do centrão da candidatura bolsonarista e, ao mesmo tempo, expandir o arco de alianças do governo. Internamente, o PT trabalha com a avaliação de que a maior parte do eleitorado já tem posição definida, o que torna decisivo o esforço para conquistar a parcela restante dos votos. Durante evento de aniversário do PT, Lula reforçou a importância de ampliar alianças para viabilizar a vitória eleitoral. “Temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições. Não estamos com essa bola toda em todos os estados, tem estados que precisamos compor. A gente precisa decidir se quer ganhar ou se quer perder. Como eu quero ganhar, Edinho [Silva, presidente do PT], você vai ter que fazer as alianças”, afirmou. Possível rearranjo na chapa e aproximação com o MDB Entre os movimentos em análise está a tentativa de atrair o MDB para a coligação, o que poderia implicar mudanças na composição da chapa presidencial. A hipótese envolve o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), embora aliados reconheçam os riscos políticos da eventual substituição. Lula discutiu o tema com os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM). Nos bastidores, o entendimento é de que oferecer a vaga de vice seria um fator decisivo para viabilizar apoio formal do MDB em convenção partidária. Entre os nomes cotados para eventual composição estão Renan Filho, Helder Barbalho e Simone Tebet. No entanto, há resistência em setores do MDB, especialmente em diretórios estaduais que mantêm proximidade com lideranças adversárias ao governo. Apesar das especulações, Lula fez gestos públicos de valorização de Alckmin em evento recente, ao afirmar: “O Geraldo Alckmin foi uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida. É um homem extraordinário que eu respeito e admiro.” Busca por neutralidade do centrão e articulações regionais Além do MDB, o presidente tenta garantir ao menos a neutralidade de partidos do centrão, evitando que essas siglas formalizem apoio a Flávio Bolsonaro. Um dos movimentos nesse sentido foi a reunião com o presidente do PP, Ciro Nogueira, que discutiu a possibilidade de neutralidade nacional da legenda. Paralelamente, Lula intensificou articulações com lideranças regionais do União Brasil, especialmente no Ceará, onde o governo busca evitar alianças adversárias na disputa estadual. A formação da federação entre PP e União Brasil, chamada União Progressista, também altera o cenário, ampliando o peso do bloco no Congresso e sua influência na eleição nacional. Aproximação com lideranças do Congresso O presidente também reforçou o diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que tem atuado como interlocutor em negociações com partidos do centro. Motta participou de encontros políticos recentes ao lado de Lula e de outras lideranças parlamentares. Em reunião com deputados, Lula minimizou possíveis atritos decorrentes de partidos que integram o governo e mantêm pré-candidaturas próprias à Presidência, em referência a legendas como o PSD.

João Campos defende permanência de Alckmin como vice de Lula e articula fortalecimento do PSB na Bahia

Durante agenda em Salvador neste sábado (7), o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, defendeu a permanência de Geraldo Alckmin como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a eleição de 2026. A visita integra uma estratégia do partido para ampliar sua presença política na Bahia e atrair novas filiações. Questionado sobre especulações envolvendo uma possível candidatura de Alckmin ao governo de São Paulo, Campos afirmou que o PSB é favorável à manutenção do vice-presidente na chapa presidencial. “Em time que está ganhando não se mexe. O vice-presidente Alckmin faz um grande trabalho”, declarou. Segundo ele, Alckmin tem desempenhado papel relevante em momentos estratégicos do governo, incluindo negociações durante o recente embate comercial internacional. “Em momentos desafiadores ele sempre está presente”, acrescentou. Sobre a aproximação institucional entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), potencial adversária política em 2026, João Campos adotou postura cautelosa e minimizou impactos eleitorais. “O presidente Lula é um republicano nato e trata bem todos os governadores, independentemente de quem votaram”, afirmou. Campos também rebateu avaliações sobre eventual enfraquecimento de Lula no Nordeste, atribuindo críticas ao discurso da oposição. “Se formos para os fatos práticos e concretos, o presidente Lula é imbatível porque sabe trabalhar”, disse. Além do debate nacional, a agenda em Salvador incluiu articulações para reforçar o PSB na Bahia. O evento deve oficializar a migração de parlamentares estaduais oriundos do PP para a legenda, entre eles Niltinho, Antonio Henrique Jr., Eduardo Salles e Hassan Youssef. O ex-secretário Vitor Bonfim (PV) também é citado como nome próximo de ingressar no partido. O encontro contou ainda com a presença de lideranças já filiadas ao PSB, como a deputada estadual Fabíola Mansur, o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, o ex-deputado federal Bebeto Galvão e o apresentador Uziel Bueno. A presidente estadual da sigla, Lídice da Mata, segue como principal representante do partido na Câmara dos Deputados. Nos bastidores, especulações sobre uma possível ida do deputado federal Mário Negromonte Jr. ao PSB perderam força, uma vez que o parlamentar não participou do evento. A legenda busca ampliar sua bancada federal e prepara uma lista proporcional com nomes como Vitor Bonfim, Danilo Henrique Jr. e o ex-comandante do Corpo de Bombeiros, Adson Marquezini.

Otto Alencar declara apoio a Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado em 2026

O senador Otto Alencar (PSD) confirmou, nesta sexta-feira (6), apoio às candidaturas do senador Jaques Wagner (PT) à reeleição e do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), à segunda vaga da chapa majoritária ao Senado nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante um evento de entrega de equipamentos e ambulâncias do SAMU, em Salvador, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nessa cooperação que avança há muitos anos e que vai estar ainda mais sólida agora, nas eleições de 2026, com a reeleição de Jerônimo e com a eleição dos meus candidatos ao Senado Federal, Rui Costa e Jaques Wagner. Nós vamos trabalhar intensamente para que possamos ter uma representação ainda mais forte do que temos tido neste período”, afirmou Otto. O senador também comentou estar acostumado a enfrentar conspirações e relembrou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em meio a informações de que o senador Angelo Coronel, ex-PSD, teria tentado retirar o comando estadual do partido de suas mãos. “Eu já sou acostumado a enfrentar conspiração e vou enfrentar qualquer conspiração que se promova contra o nosso grupo e o nosso projeto”, completou.

Flávio Dino determina revisão nacional de verbas extras pagas a servidores públicos

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em todas as esferas, revisem em até 60 dias o fundamento legal de todas as verbas remuneratórias e indenizatórias pagas a servidores públicos. Segundo a decisão, pagamentos que não estiverem expressamente previstos em lei deverão ser suspensos após o fim do prazo. “Aquelas verbas que não foram expressamente previstas em LEI — votada no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas ou nas Câmaras Municipais (de acordo com cada esfera de competência) — devem ser imediatamente suspensas após o prazo fixado”, afirma o ministro. Dino também criticou a falta de uma lei nacional para regulamentar verbas indenizatórias e determinou que o Congresso elabore uma norma definindo quais exceções ao teto constitucional são legalmente permitidas. O entendimento do STF é de que indenizações e adicionais só podem ser considerados exceções ao teto quando estiverem devidamente regulamentados por norma legal específica, evitando interpretações amplas ou brechas administrativas.

Ano eleitoral começa com reajustes salariais e ampliação de despesas dos Três Poderes

Os Três Poderes abriram o ano eleitoral de 2026 com a aprovação de medidas que ampliam despesas públicas, concedem reajustes salariais, criam cargos, instituem gratificações e estabelecem novos benefícios para servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário. As decisões envolvem aumento de salários, reestruturação de carreiras, expansão do quadro de pessoal e flexibilização de regras fiscais, gerando impacto relevante nas contas públicas. Legislativo No âmbito do Legislativo, o Congresso Nacional aprovou dois projetos que reajustam os salários de servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. As propostas também promovem mudanças na estrutura das carreiras e instituem gratificações de desempenho que podem alcançar até 100% do salário-base. Além dos reajustes, os textos aprovam novos benefícios funcionais, incluindo a concessão de folga a cada três dias trabalhados para servidores em determinadas funções, ampliando direitos e vantagens no regime de trabalho. De acordo com relatórios técnicos, os reajustes representam um aumento médio de cerca de 9% ao ano, com impacto estimado em aproximadamente R$ 540 milhões por ano. As propostas seguem para sanção do presidente da República. Executivo Na esfera do Executivo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que cria cerca de 16 mil cargos no Ministério da Educação e outros 1,5 mil no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O texto também autoriza a instalação do Instituto Federal do Sertão Paraibano e promove um redesenho da estrutura de carreiras públicas. Segundo o Ministério da Gestão, o impacto fiscal pode alcançar R$ 5,3 bilhões em 2026, sendo R$ 1,08 bilhão referente à criação de cargos e R$ 4,2 bilhões destinados a remunerações, gratificações e novas carreiras. Judiciário No Judiciário, o Supremo Tribunal Federal autorizou a exclusão das receitas próprias do Ministério Público da União das regras do arcabouço fiscal. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, atendeu a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e permite que esses recursos fiquem fora do teto de gastos. A medida passa a valer para o orçamento de 2026 e ainda será analisada pelo plenário do STF. A Procuradoria-Geral da República estima utilizar cerca de R$ 304 milhões em receitas próprias no próximo exercício financeiro. A decisão segue precedente do próprio STF, que anteriormente já havia retirado as receitas próprias do Judiciário das limitações do arcabouço fiscal. Em dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um reajuste de 8% para servidores do Judiciário federal. Reajustes acumulados As novas medidas se somam a reajustes aprovados em anos recentes. Em maio de 2025, servidores públicos federais receberam um reajuste médio de 27%, válido para o período entre 2023 e 2026, com impacto estimado em R$ 73,9 bilhões até 2027. Em novembro, o Congresso aprovou outro reajuste de 8% para servidores do Judiciário em 2026, embora aumentos adicionais previstos para 2027 e 2028 tenham sido vetados. Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Lula envia ao Congresso prioridades para 2026 com foco no fim da escala 6×1, segurança pública e acordo Mercosul-UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (2), a Mensagem ao Congresso Nacional 2026, documento com mais de 800 páginas que reúne o balanço do governo em 2025 e apresenta as prioridades legislativas do Executivo para o último ano da atual legislatura. A mensagem foi entregue pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante a sessão que marcou a abertura dos trabalhos do Congresso. O texto foi lido em plenário pelo primeiro-secretário da Mesa, o deputado Carlos Veras (PT-PE). A solenidade contou com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, além de ministros do governo, como Gustavo Feliciano (Turismo) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais). Apesar disso, o evento registrou baixo quórum de parlamentares, já que não há votações polêmicas previstas antes do Carnaval. Na abertura do documento, Lula destacou os resultados econômicos de 2025, afirmando que o ano começou sob desconfiança do mercado, mas terminou com avanços históricos. “O ano de 2025 começou sob ceticismo e projeções pessimistas, mas chegou ao fim com avanços e recordes. As profecias eram as piores possíveis… Aconteceu justamente o contrário: o Brasil chegou ao fim de 2025 mais forte do que nunca”, afirmou o presidente. A mensagem informa que o PIB cresceu pelo terceiro ano consecutivo, a inflação fechou 2025 em 4,26% — a menor em sete anos, e o desemprego caiu para 5,2%, o menor nível da série histórica. A renda média do trabalho atingiu R$ 3.574, o maior valor já registrado. Além disso, Lula destacou que 17,4 milhões de brasileiros saíram da pobreza em dois anos e que o país foi retirado novamente do Mapa da Fome. “O Brasil caminha para se tornar um país de classe média”, disse o presidente. Investimentos, PAC, saúde e educação O documento ressalta o fortalecimento do investimento público e privado como motor do desenvolvimento. Segundo o governo, o Novo PAC já alcançou R$ 945 bilhões em execução, com mais de 34 mil empreendimentos em andamento. Na habitação, o programa Minha Casa, Minha Vida teria antecipado a meta de 2 milhões de moradias contratadas. Na saúde, a mensagem aponta a realização de 14,5 milhões de cirurgias eletivas, com foco na redução das filas. Na educação, o Programa Pé-de-Meia teria beneficiado cerca de 4 milhões de estudantes, contribuindo para uma redução de 43% na evasão escolar no ensino médio. Prioridades legislativas para 2026 Entre os principais projetos considerados estratégicos pelo governo, Lula destacou: Fim da jornada de trabalho na escala 6×1 PEC da Segurança Pública Lei antifacção (combate ao crime organizado) Regulação do trabalho por aplicativos Pacto Nacional contra o Feminicídio Ratificação do acordo Mercosul-União Europeia Sobre a jornada de trabalho, o presidente classificou o tema como um dos principais desafios do ano eleitoral. “Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário. O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, diz a mensagem. Segurança pública e combate às facções Na área de segurança, Lula destacou a importância da PEC da Segurança Pública, que busca ampliar a cooperação entre a União e os estados, e do PL Antifacção, que endurece o combate ao crime organizado. “A PEC da Segurança Pública cria o ambiente adequado para maior cooperação da União com os Estados”, afirmou o presidente. O projeto antifacção prevê penas mais severas para líderes de organizações criminosas e restrições à progressão de pena. Regulação do trabalho por aplicativos O presidente também classificou como “urgente” a regulamentação do trabalho por aplicativos, afirmando que é necessário evitar a precarização das novas categorias profissionais. “Uma demanda importante das novas categorias profissionais, que não podem ter sua mão de obra precarizada e dependem de defesa institucional do Estado brasileiro para mediar melhores condições de trabalho.” O governo estuda três eixos principais para a regulamentação: Remuneração mínima por corrida ou entrega Transparência dos algoritmos Acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente patronal Pacto contra o feminicídio Outra prioridade é o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que deve ser lançado nesta semana com a participação dos Três Poderes. “Esperamos que essa união possa materializar não apenas ações de repressão à violência, mas também iniciativas estruturantes… especialmente para a atuação deste Parlamento”, disse Lula. Acordo Mercosul-União Europeia e protagonismo internacional Lula comemorou a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, destacando seu impacto econômico e estratégico. “O acordo Mercosul-União Europeia abre um novo ciclo de oportunidades para as empresas brasileiras, fortalece a competitividade do Brasil, amplia as exportações e atrai investimentos de forma sustentável (…) O novo bloco reúne uma população de 720 milhões de consumidores, e tenho certeza de que o Congresso Nacional não medirá esforços para, no menor prazo possível, internalizar este acordo.” O presidente também destacou o recorde de US$ 77,7 bilhões em investimentos estrangeiros e o fortalecimento do protagonismo internacional do Brasil. Encerramento: apelo por parceria e continuidade Ao final da mensagem, Lula reforçou a importância da parceria com o Congresso e convocou o Parlamento a manter o compromisso com o desenvolvimento e a justiça social. “Vamos continuar trabalhando juntos e juntas para que o ano de 2026 seja ainda melhor.” Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

ACM Neto sinaliza interesse em atrair Angelo Coronel para chapa da oposição na Bahia

O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), voltou a sinalizar interesse em contar com o senador Angelo Coronel (PSD) na chapa da oposição nas eleições estaduais. Em entrevista nesta terça-feira (2), Neto afirmou que aguardou o desenrolar da relação entre Coronel e a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) antes de avançar em conversas políticas. Durante participação na Band News, na festa de Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, Neto criticou a condução do PT nas articulações para a formação da chapa majoritária e afirmou que o partido tem priorizado uma composição exclusiva. “Vocês sabem que eu esperei os desdobramentos da desavença entre o PT e o senador Coronel e os fatos mostraram que o PT é insaciável, tem fome de poder e não quer dar espaço para ninguém. Imaginem que eles (PT) simplesmente desprezaram um político do tamanho, peso e liderança de Coronel, que já foi deputado estadual, presidente da Assembleia e é o senador com o maior respaldo entre prefeitos da Bahia. Depois de tudo o que aconteceu, eu me sinto à vontade para dar início às conversas com o senador”, declarou. ACM Neto também declarou que o União Brasil está aberto a uma eventual filiação de Coronel, que deve deixar o PSD. “Mas quem vai tomar esta decisão é o senador, ele pode vir para o nosso partido ou mesmo para outra legenda que compõe a nossa base”. O pré-candidato acrescentou ainda que não há pressa na definição da chapa majoritária. “Não temos nenhum motivo para apressar nada (a formação da chapa). Estamos trabalhando para tudo ser definido em março. Até lá, vamos conversar com os partidos”, completou. Atualmente, o campo de oposição conta com dois nomes cotados para disputar uma vaga ao Senado: o presidente do PL na Bahia, João Roma, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PSDB). Caso Angelo Coronel oficialize a migração para a oposição, a tendência é que o espaço de Marcelo Nilo na composição da chapa seja reduzido.

Angelo Coronel rompe com base de Jerônimo e deixa o PSD na Bahia

O senador Angelo Coronel (PSD) confirmou, no sábado (31), o rompimento com o grupo político do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e anunciou sua saída do Partido Social Democrático (PSD). A decisão foi atribuída à perda de espaço na formação da chapa majoritária para as eleições de 2026 e foi divulgada durante entrevista ao programa Frequência News, da rádio Boa FM 96,1. Na ocasião, Coronel afirmou que a saída não foi voluntária, mas resultado direto da exclusão de seu nome da disputa pela vaga ao Senado dentro da aliança governista. Segundo o parlamentar, ele foi afastado do projeto político de forma abrupta, classificando o episódio como uma “defenestração” e alegando ter sido retirado de um espaço que considerava legítimo. O senador declarou ainda que sua desvinculação do grupo ocorreu de maneira automática diante da ausência de espaço político, restando apenas a formalização jurídica no Tribunal Regional Eleitoral. Coronel também deixou em aberto as possibilidades sobre sua futura filiação partidária, indicando que pretende disputar a reeleição ao Senado fora da base do governo estadual. A decisão provocou reação do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD e principal liderança da legenda na Bahia. Em entrevista ao mesmo programa, Otto negou ter articulado qualquer tentativa de expulsão ou marginalização de Coronel e afirmou que o partido ofereceu ao colega a possibilidade de disputar a reeleição como candidato “avulso”, desde que o PSD permanecesse coligado ao PT na disputa pelo governo estadual. Otto Alencar sustentou que nunca tomou iniciativa para afastar Coronel e que a decisão de manter o PSD na base do governador Jerônimo Rodrigues foi coletiva, refletindo a posição da maioria dos prefeitos, deputados e candidatos da sigla. De acordo com ele, mais de 90% dos 115 prefeitos consultados defenderam a manutenção da aliança com o governo estadual, sob o argumento de que uma ruptura poderia comprometer o desempenho eleitoral do partido em 2026. Apesar das divergências públicas, Otto descreveu o momento como um dos mais difíceis de sua trajetória política, destacando o vínculo pessoal com Coronel, que é seu compadre. O senador ressaltou respeito pela trajetória, caráter e capacidade do colega, afirmando que diferenças políticas podem levar a separações inevitáveis. Impacto político e reconfiguração do cenário eleitoral baiano Após a confirmação da saída de Angelo Coronel do PSD, deputados federais e estaduais do partido se reuniram para reafirmar apoio a Otto Alencar e à continuidade da aliança com Jerônimo Rodrigues e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos, declarou que a liderança de Otto é “incontestável” e que a bancada estadual seguirá alinhada ao governador e ao projeto nacional do PT. Parlamentares como Sérgio Brito também reforçaram a unidade interna, classificando o PSD como um partido coeso e fortalecido. A crise ocorre em meio à definição da chapa majoritária governista para 2026, que deve contar com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, reduzindo o espaço para a reeleição de Angelo Coronel dentro da coligação governista — fator considerado determinante para o rompimento. Diante do cenário, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que aguardará uma manifestação oficial do PSD antes de comentar o caso. Segundo ele, as articulações políticas serão intensificadas nos próximos dias e qualquer posicionamento dependerá de diálogo formal com Otto Alencar e a direção partidária. Jerônimo ressaltou que, até o momento, não houve comunicação oficial sobre o rompimento e afirmou que pretende construir o novo cenário político com base em decisões institucionais. O episódio sinaliza uma reconfiguração relevante no tabuleiro político baiano, evidenciando tensões internas no PSD, redefinições de alianças e a possível abertura de uma nova frente eleitoral ao Senado em 2026, com impacto direto na disputa entre os campos governista e oposicionista no estado.

Mais de 140 prefeitos baianos apresentam pautas municipais a Rui Costa em reunião em Brasília

Mais de 140 prefeitos da Bahia participaram, nesta quarta-feira (28), de um encontro em Brasília com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para debater temas considerados prioritários para a gestão municipal no estado. A reunião foi articulada pela União dos Municípios da Bahia (UPB) e reuniu gestores de diversas regiões. Entre os assuntos em pauta estiveram a proposta de redução definitiva da alíquota do INSS patronal, os impactos da Reforma Tributária sobre as finanças municipais, o projeto do Canal do Sertão Baiano e a queda no preço do cacau, que tem gerado apreensão entre produtores e administrações locais. O encontro reforçou a mobilização dos prefeitos junto ao Governo Federal, com o objetivo de buscar alternativas para os desafios fiscais e econômicos enfrentados pelos municípios baianos. Durante a agenda, Rui Costa recebeu um estudo elaborado pela UPB que sugere a adequação permanente da alíquota do INSS das prefeituras, com base na capacidade arrecadatória das cidades. O presidente da UPB, Wilson Cardoso, avaliou positivamente o resultado da reunião e destacou a importância dos temas apresentados. “Foi uma reunião muito produtiva. Trouxemos temas sensíveis para os municípios, como a redução da alíquota e os impactos da Reforma Tributária, que precisam ser debatidos com responsabilidade. Também tratamos de obras estruturantes, como o Canal do Sertão, e da grave situação enfrentada pelos produtores de cacau com a queda do preço do produto”, afirmou. Wilson Cardoso também ressaltou o papel institucional da entidade na defesa das cidades baianas diante das mudanças no sistema tributário. “Nosso papel é defender os interesses das cidades baianas e assegurar que qualquer mudança venha acompanhada de compensações e justiça fiscal”, completou. O ministro Rui Costa reiterou o compromisso do Governo Federal com as demandas dos municípios e afirmou que haverá encaminhamento das propostas apresentadas durante a reunião. “O diálogo com os prefeitos é fundamental para que possamos construir soluções que atendam às realidades regionais. Em relação à redução da alíquota, vamos dar encaminhamento e levar a proposta apresentada pela UPB ao Ministério da Fazenda para avaliação”, declarou. Rui Costa também abordou o andamento do projeto do Canal do Sertão e a situação do setor cacaueiro, destacando que ambas as pautas fazem parte das prioridades do governo federal. “São pautas estratégicas para o desenvolvimento da Bahia. O Canal do Sertão é uma obra fundamental para garantir segurança hídrica, e estamos acompanhando de perto a situação do cacau para buscar alternativas que apoiem os produtores”, concluiu.